17 de fevereiro de 2015

degole-se o Marquês

Quando leio notícias ou vejo imagens das barbaridades que o “Estado Islâmico” comete contra outros seres humanos sou invadida por uma revolta que me traz ao de cima o pior que há em mim… ódio, raiva, vontade de lhes dar a provar os seus próprios métodos…  
Infelizmente nos últimos tempos e à medida que se vão sabendo pormenores do processo Marques tenho sido assaltada pelos mesmos sentimentos… ódio, raiva e vontade de retaliar pelos mesmos métodos.
O processo Marques está em segredo de justiça, situação ideal para a acusação uma vez que lhe permite promover um julgamento na praça pública sem que se possa verificar da veracidade das informações passadas para a comunicação social e com isso manipular a opinião pública e fomentar os ódios de estimação
Só num Estado de Direito o cidadão tem garantido que será julgado de acordo com a lei e não de acordo com as convicções ou preconceitos de um qualquer juiz ou procurador.  Deixar a justiça ao sabor da discricionariedade dos seus agentes é uma opção que nem se coloca e quando um processo atenta contra as regras de um Estado de Direito ele atenta contra a liberdade colectiva e ou individual.
Ora o processo Marques, na minha opinião, tem atentado contra o Estado de Direito de uma forma violenta, fazendo-me mesmo temer pela minha liberdade.
Quando li a denúncia feita pela advogada Paula Lourenço fiquei em estado de choque e, apesar de me predispor a  acreditar na veracidade dos factos  denunciados, ainda acalentei a esperança de que nem tudo fosse exactamente assim.  Qual não é pois a minha admiração quanto vejo esta noticia 
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4404778
Ela acaba com qualquer esperança que pudesse ter quanto à correcção de procedimentos dos agentes da justiça no caso Marquês! 
Diz a noticia:
“depois de abordados pelos agentes, ambos, mesmo ainda sem terem sido formalmente detidos e constituídos arguidos, consentiram nas diligências que se prolongaram até à madrugada do dia seguinte: buscas aos carros, escritórios e casas e revistas pessoais”
Interpreto do seguinte modo:
"os visados vinham tão entediados com a viagem que acabavam de realizar que, ao encontrarem os agentes à sua espera, decidiram OFERECEREM-SE PARA SEREM DETIDOS e realizar uma farra/festa … começando pelas revistas pessoais (sim, que aquilo deve dar um gozo pessoal do caraças!)...  seguindo com a farra /festa nos escritórios  e terminando nas suas casas de habitação" e a esposa de um desses voluntários, surpreendida com tão grande festa/farra dada na sua própria casa, decidiu juntar-se-lhes e trazer as crianças para assistirem.
A noticia acrescenta:
- “Como ambos assinaram os respectivos autos de buscas, tal poderá servir para o procurador fundamentar o consentimento.”
Gosto desta afirmação, gosto mesmo muito desta afirmação! Mas (e há sempre um mas)… levantam-se muitas questões nesta minha mente perversa.
A assinatura dos autos de busca pelos visados não prova o seu prévio consentimento e muito menos prova o prévio consentimento da esposa nas buscas feitas no seu domicilio assim como nunca poderá servir para autorizar o seu interrogatório. Se a queriam ouvir como declarante ou testemunha, convocavam-na para o efeito, de acordo com as regras definidas pela lei.
Parece-me que estão a justificar o injustificável !! Aguardemos... 

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