4 de julho de 2012

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O facebook é uma ferramenta que, se bem usada, pode ser muito interessante. Só que nós somos um povo com graves défices de conhecimento e educação. Logo o facebook é um reflexo do povo que temos. Infelizmente são muitos os que dizem a maior das aberrações e que, quando confrontados com isso, refugiam-se na afirmação “é a minha opinião”. Quando ouço esta afirmação para justificar opiniões esquisitas tenho tendência a arrepiar-me porque, na maioria das vezes fala-se, sem se saber do que se fala e sem conhecer a verdadeira significância das palavras ou dos conceitos.
Hoje deparei-me com esta imagem no facebook onde se acusa a câmara de discriminação por ter excluído uma criança com necessidades educativas especiais de uma determinada actividade relacionada com a leitura...



Pelo texto que está na foto é fácil perceber que se trata de uma criança com necessidades educativas especiais.
Se assim é, não há qualquer discriminação!
Atentemos no que diz a definição de discriminação: “Discriminar significa diferenciar ou tratar diferentemente quando não há diferenças relevantes entre duas pessoas ou situações, ou tratar de modo idêntico situações que são, na realidade, diferentes.”
Ora esta definição evidencia que neste caso não há uma efectiva discriminação, porque uma criança com necessidades educativas especiais não pode ser tratada como se não houvesse diferença nas suas aprendizagens relativamente às das outras crianças.
Partindo do princípio que haverá dúvidas sobre a capacidade de aprendizagem de leitura entre crianças com necessidades educativas especiais e crianças sem essas necessidades educativas, atentemos ao que diz Gersten e Chard Vaughn:
“Os alunos com distúrbios de aprendizagem não são aprendizes estratégicos; eles não aprenderam como aprender. Sem instruções sobre como conseguir aprender, eles são incapazes de compensar seus problemas de aprendizagem.” (educação especial – ensinar em tempos de inclusão” de Deborah Deutsch Smith)
Assim não integrar uma criança com necessidades educativas especiais num grupo de crianças que não têm essa necessidade parece-me muito razoável pois, se se o fizesse, dessa experiência não me parece que a criança viesse a adquirir qualquer competência e poderia, isso sim, desmotivá-la da aprendizagem, na medida em que, por não ter um ensino individualizado pudesse vir a ter consciência de o seu esforço não ser compensado, por comparação com as outras crianças.
Quando falamos das nossas crianças todo o cuidado é pouco, porque pequenos erros podem ser geradores de grandes desmotivações e devemos ter sempre em mente a palavras sábias de João dos Santos:
“Não sou contra a experimentação, mesmo que de tolices, mas que se façam as experiências com cobaias ou galinhas”
Não se pode acusar a câmara de discriminar uma criança com necessidades educativas especiais por não a integrar num grupo de crianças que não têm necessidades educativas especiais. Não se pode, de igual modo, acusar de discriminação por tudo e por nada e muito especialmente quando é uma acusação sem fundamentação, ou então no dia que houver efectivamente discriminação já ninguém ligará porque vezes sem conta se usou tal acusação de forma errada.
É a velha história do pastor e do lobo…




Isto é politica sem demagogia