14 de dezembro de 2012

momentos hilariantes a que só faltaram as pipocas


Numa reunião da Comissão Politica Concelhia de Matosinhos e após ter estado afastada da realidade durante 11 dias fiquei a saber que:
1º "o país precisa de disciplina fiscal" [?...] 
2º "vivemos uma crise deflacionária internacional" [?...]
Não há duvida que as reuniões da CPC são divertidíssimas!!... e que se podem dizer grandes disparates desde que se lhes chame analise da situação politica.

10 de novembro de 2012

PS Matosinhos [I]

É público que não tenho qualquer tipo de consideração pessoal ou política por Narciso Miranda. Considero-o um político populista, demagógico e com ausência de valores éticos… mas sou obrigada a reconhecer que ele soube elaborar uma estratégia politica que lhe permite sobreviver com alguma facilidade.
Senão vejamos:
1. Em 2001 é eleito Presidente da CMM pela ultima vez com 37 231 votos. Porém, na sequência dos incidentes da lota, fica impedido de se recandidatar em 2005.
2. Em 2005 Guilherme Pinto é o candidato do PS e é eleito Presidente da CMM, pela primeira vez, com 34 442 votos.
3. Em 2009 Narciso Miranda, na impossibilidade de ser o candidato do PS, concorre à CMM como independente e disputa a Câmara com Guilherme Pinto que é recandidatado pelo PS. Guilherme Pinto vence a eleição por 35 293 votos contra 22 892 votos de Narciso Miranda.
A vitória de Guilherme Pinto foi uma derrota pessoal e política de Narciso Miranda que ele não foi capaz de digerir e que assume uma dimensão de ódio pessoal quando ele acaba por ser expulso do PS. Narciso Miranda recorre da sua expulsão para o Tribunal Constitucional e mesmo sabendo que o recurso ao TC não suspende a sua expulsão argumenta que ainda é militante do PS. É porém evidente para todos que Narciso Miranda sabe que sem o PS as suas hipóteses de se afirmar no panorama político local fica fragilizado. Assim aposta na fragilização do próprio PS, condicionando a escolha do candidato do PS em 2013.


Sabendo ele que António Parada tem uma ambição desmedida e um ódio pessoal a Guilherme Pinto, apesar de não gostar do António Parada alia-se a ele recorrendo à velha estratégia de se unir para combater um inimigo comum. Nada os une, já que António Parada é uma fotocopia politica de Narciso Miranda, a não ser a vontade de impedir Guilherme Pinto de ser o candidato do PS à CMM. Assim Narciso empenha-se pessoalmente na eleição de António Parada para Presidente da Comissão Politica Concelhia de Matosinhos, colocando os militantes do PS que ainda lhe são fieis ao serviço das ambições de António Parada, com o objectivo de este vir a ser o candidato do PS. Obviamente que esta estratégia foi facilitada com a introdução das directas, na sequência da alteração dos Estatutos do PS.
Parada, após conseguir a presidencia da comissão política concelhia, apressou-se a realizar as directas, apesar de estar consciente que há um processo no Tribunal Constitucional a pedir a ilegalidade dos Estatutos a qual, ao ser declarada, torna todo este processo anulável.
Sabe-se que as sondagens, que a distrital faz questão de esconder, indicam que António Parada perderá para Narciso Miranda, do mesmo modo que nessas sondagens é dada a indicação de que Guilherme Pinto voltaria a derrotar o Narciso Miranda.
De todo este imbróglio ressalta que António Parada é o candidato preferido tanto para Narciso Miranda como para Pedro Vinha da Costa, porque é um candidato de quem farão gato-sapato sem grande esforço.


A minha grande interrogação é se António José Seguro vai ser cúmplice desta estratégia que levará à primeira derrota do PS em Matosinhos

25 de outubro de 2012

da ética... ou da falta dela

Ao ler esta noticia fiquei surpreendida com a argumentação usada


António José Seguro quando foi eleito Secretário Geral do PS decidiu fazer uma alteração dos Estatutos do Partido Socialista à revelia das mais elementares regras democráticas e legais. Perante o sucedido, foram feitos recursos ao Jurisdicional do Partido Socialista e a resposta foi, do ponto de vista dos Estatutos, hilariante  pelo que um dos recorrentes subiu de instância e remeteu o assunto para para o Tribunal Constitucional. Nada que não cumpra o estipulado pela própria Lei e nada de anormal num Estado de Direito Democrático.
Na democracia representativa que somos, o país elege deputados para eles exercerem o poder legislativo.
Num Estado de Direito Democrático a lei é respeitada e cumprida.
Então, o que é que me surpreende na linguagem usada pelo Deputado António Galamba?... o que me surpreendeu foi o facto de um deputado  que tem como função legislar considerar “terrorismo politico” o recurso ao Tribunal Constitucional. A mensagem que esta adjectivação provoca é tanto mais grave quanto se adjectiva de terrorismo politico o recurso a instrumentos legais à disposição dos cidadãos quando eles convocam as instâncias adequadas para redimir as suas divergências legais.
Estará o deputado António Galamba a sugerir que a decisão do Tribunal Constitucional poderá ser uma decisão terrorista?
Na minha opinião, um deputado capaz de fazer comentários destes não terá o perfil ético que se deve exigir a um deputado

24 de outubro de 2012

sou político

Um livro de Guilherme Pinto com prefacio de José Sócrates   




13 de outubro de 2012

9 de setembro de 2012

silêncios ensurdecedores


O 1º ministro anunciou uma parte das novas medidas de austeridade há mais de 36 horas e o que fez o Seguro?... calou-se!!
Mas como soube que o Passos Coelho depois de ter anunciado uma austeridade insuportável foi ao espectáculo do Paulo Carvalho decidiu que o seu lugar era no espectáculo do Herman José... e para que não restassem duvidas da sua parecença com o amigo do PSD brindou-nos com uma cantiguinha.


O fraco secretário-geral faz fraco o forte partido.
[Camões só não escreveu isto porque não conheceu o Seguro]




8 de agosto de 2012

a democracia é o pior sistema politico depois de todos os outros

Este é um artigo que vale a pena ler, até porque são levantadas algumas questões curiosas sobre a alteração dos Estatutos do PS e sobre António José Seguro. Deixemos no entanto esses aspectos para futuros comentários e centremo-nos no dito “efeito Parada”. 
Em 2005, apesar dos processos internos abertos pelo PS na sequência do caso da Lota em que é proposta a sua expulsão, consegue impor-se ao PS como cabeça de lista à junta de Matosinhos onde ganha com maioria absoluta.
Ao longo desses quatro anos conduz uma guerrilha institucional contra o Guilherme Pinto [de que é paradigma o caso da providencia cautelar sobre o transito na Av Serpa Pinto] e tenta criar condições para em 2009 ser candidato à CMM contra Guilherme Pinto, tendo até tido contactos com o PSD sobre a hipótese de vir a ser o candidato apoiado por este partido [segundo o próprio os contacto foram com Marco António]...
Esfumada essa hipótese, recandidata-se à Junta de Freguesia onde é reeleito mas perde a maioria absoluta. Consciente das suas fragilidades e ignorância agarra-se a um discurso populista e reforça o seu sindicato de votos fazendo entrar no PS centenas de pessoas com o único intuito de votarem nas eleições internas quando e em quem ele indicar.
Para poder concretizar a sua ambição de ser o candidato do PS à Câmara, lança a sua candidatura à Comissão Politica Concelhia sem uma moção e sem um projecto político capaz e coerente… pois está ciente que não são as ideias mas sim o seu sindicato de votos que lhe vão dar, como deram, a vitória.
Esta estratégia tem erros políticos incontornáveis: primeiro divide o partido de que precisa para ganhar e depois ignora que um sindicato de votos lhe pode permitir ganhar eleições internas no partido mas não chega para ganhar uma eleição autárquica. 


Estará António José Seguro disponível para ver o PS perder pela primeira vez a CMM ?


4 de julho de 2012

.

O facebook é uma ferramenta que, se bem usada, pode ser muito interessante. Só que nós somos um povo com graves défices de conhecimento e educação. Logo o facebook é um reflexo do povo que temos. Infelizmente são muitos os que dizem a maior das aberrações e que, quando confrontados com isso, refugiam-se na afirmação “é a minha opinião”. Quando ouço esta afirmação para justificar opiniões esquisitas tenho tendência a arrepiar-me porque, na maioria das vezes fala-se, sem se saber do que se fala e sem conhecer a verdadeira significância das palavras ou dos conceitos.
Hoje deparei-me com esta imagem no facebook onde se acusa a câmara de discriminação por ter excluído uma criança com necessidades educativas especiais de uma determinada actividade relacionada com a leitura...



Pelo texto que está na foto é fácil perceber que se trata de uma criança com necessidades educativas especiais.
Se assim é, não há qualquer discriminação!
Atentemos no que diz a definição de discriminação: “Discriminar significa diferenciar ou tratar diferentemente quando não há diferenças relevantes entre duas pessoas ou situações, ou tratar de modo idêntico situações que são, na realidade, diferentes.”
Ora esta definição evidencia que neste caso não há uma efectiva discriminação, porque uma criança com necessidades educativas especiais não pode ser tratada como se não houvesse diferença nas suas aprendizagens relativamente às das outras crianças.
Partindo do princípio que haverá dúvidas sobre a capacidade de aprendizagem de leitura entre crianças com necessidades educativas especiais e crianças sem essas necessidades educativas, atentemos ao que diz Gersten e Chard Vaughn:
“Os alunos com distúrbios de aprendizagem não são aprendizes estratégicos; eles não aprenderam como aprender. Sem instruções sobre como conseguir aprender, eles são incapazes de compensar seus problemas de aprendizagem.” (educação especial – ensinar em tempos de inclusão” de Deborah Deutsch Smith)
Assim não integrar uma criança com necessidades educativas especiais num grupo de crianças que não têm essa necessidade parece-me muito razoável pois, se se o fizesse, dessa experiência não me parece que a criança viesse a adquirir qualquer competência e poderia, isso sim, desmotivá-la da aprendizagem, na medida em que, por não ter um ensino individualizado pudesse vir a ter consciência de o seu esforço não ser compensado, por comparação com as outras crianças.
Quando falamos das nossas crianças todo o cuidado é pouco, porque pequenos erros podem ser geradores de grandes desmotivações e devemos ter sempre em mente a palavras sábias de João dos Santos:
“Não sou contra a experimentação, mesmo que de tolices, mas que se façam as experiências com cobaias ou galinhas”
Não se pode acusar a câmara de discriminar uma criança com necessidades educativas especiais por não a integrar num grupo de crianças que não têm necessidades educativas especiais. Não se pode, de igual modo, acusar de discriminação por tudo e por nada e muito especialmente quando é uma acusação sem fundamentação, ou então no dia que houver efectivamente discriminação já ninguém ligará porque vezes sem conta se usou tal acusação de forma errada.
É a velha história do pastor e do lobo…




Isto é politica sem demagogia


15 de junho de 2012

lealdade?... porque não fidelidade canina?...



Estranho que alguém que foi eleito presidente da Comissão Politica Concelhia de Matosinhos não saiba os valores do Partido Socialista.
Confundir SOLIDARIEDADE com lealdade parece-me o cúmulo da ignorância politica...

... daí recomendar uma leitura minimamente atenta da Declaração de Princípios do Partido Socialista!

20 de maio de 2012

Inqualificável!!

Neste vídeo de campanha de António Parada, candidato à Comissão Politica Concelhia de Matosinhos, aos 22:57 minutos, pode-se ouvir o candidato a dizer que é contra a escolaridade obrigatória e que a partir dos 14 anos as crianças podem trabalhar. Este é um discurso ignorante e perigoso, tanto mais grave por ser dito por um militante do PS. A falta de formação e capacidade política do candidato e a sua manifesta ignorância sobre o papel social da educação universal e obrigatória são gritantes e deveria envergonhar o PS e aqueles que se dizendo de esquerda apoiam um candidato com um discurso retrogrado, que faz a apologia de ideias manifestamente saídas de uma cartilha de direita .

26 de abril de 2012

este blogue apoia


Distrital do Partido Socialista



















Concelhia do Partido Socialista


17 de abril de 2012

quando não há diferença entre bitaites e propostas

o acontece é cair-se no ridículo e contribuir para o descrédito da politica









[imagem do facebook] 

A proposta de António Parada para “o Metro parar a circulação na Av. da Republica e voltar a incorporar o Eléctrico na artéria” é aquilo a que eu chamo de mandar bitaites.
É que qualquer proposta deste género, para ter o mínimo de credibilidade, tem que ter por base um estudo que permita saber custos, impacto e sustentabilidade.
Já que estamos numa fase de mandar bitaites aqui fica o meu: porque não “incorporar” charretes na artéria? 



9 de março de 2012

está desfeito o mistério do riso das vacas!!


As vacas não se riem para Cavaco Silva...
As vacas riem-se de Cavaco Silva!!!



23 de janeiro de 2012

21 de janeiro de 2012

o mundo está mesmo em crise!!!

A foto registou estes três destacados políticos e eles são a prova da dimensão da crise que o mundo atravessa!
Um está preso, o outro está desaparecido e o que ainda está na politica activa... está com dificuldades económicas.

a emigração é uma hipótese apoiada pelo governo...

5 de janeiro de 2012

do desacordo ortográfico

"O livro foi escrito originalmente em inglês, sob o título de Salazar: A Political Biography, não há nessa edição o subtítulo publicitário “Biografia definitiva”, que consta da edição brasileira. Traduzido para o português de Portugal, o livro tem para nós, brasileiros, um sabor especial, pelo palavreado luso, que lhe dá um curioso gosto de autenticidade “

Excerto de artigo “Foi ditador mas terá sido fascista?” publicado no Courrier Internacional de Dezembro de 2011

… e eu que pensava que o acordo ortográfico era motivado pelo facto de os brasileiros não perceberem o português de Portugal

4 de janeiro de 2012

leitura obrigatória

Blogue Machina Speculatrix - Porfirio Silva
A ARMADILHA 

 Dois políticos-intelectuais de peso no Labour britânico, Ben Jackson e Gregg McClymont, publicaram no fim de Dezembro, com a chancela do think-tank dos trabalhistas “moderados” de Peter Mendelson, o Policy Network, um documento que perspectiva o caminho a seguir pelo Labour para regressar ao poder, à luz da história político-eleitoral do século XX. De seu título “Cameron’s Trap: Lessons for Labour from the 1930s and 1980s” (pdf aqui), está já a provocar alguma polémica nas fileiras dos trabalhistas. Vamos dar aqui um breve e livre resumo das suas 20 e tal páginas, sem nos entregarmos a grandes comentários acerca da sua pertinência para ilustrar a situação portuguesa.
***

Anteriores governos liderados pelos conservadores ganharam eleições mesmo depois de fazerem cortes profundos nos serviços públicos e de aplicarem políticas cúmplices com o desemprego de massas. Ou seja, conseguiram fazer isso e passar sem uma penalização eleitoral. Como o conseguiram?
Em primeiro lugar, formando uma coligação de vencedores em termos sociais (proprietários, financeiros, mas também trabalhadores “livres” da influência dos sindicatos), manobrando o sistema fiscal para apertar ainda mais os já mais apertados (por exemplo, cortando nos impostos directos e compensando com o aumento dos impostos indirectos, onde pobre e rico são tratados da mesma maneira), desprezando os perdedores (por exemplo, a concentração de desemprego massivo em zonas eleitorais trabalhistas, com recusa de fazer algo contra isso); e criando uma percepção ideológica da economia (com distorções do tipo “o desemprego elevado é uma inevitabilidade”).
Em segundo lugar, em qualquer dos casos, o sucesso eleitoral dos Conservadores passou por uma retórica política centrada nos “cortes”, na redução da despesa pública, no emagrecimento do serviço público, de modo a redefinir o conjunto do debate político nos seus próprios termos. Pode resumir-se este ponto dizendo que, para os conservadores, os cortes são ideológicos – no sentido em que se concebe que um Estado mais pequeno é sempre preferível, tanto em termos económicos como em termos morais –, mas, além disso, os cortes são políticos: no sentido em que servem os interesses eleitorais partidários dos Conservadores. Colocar os “cortes” como um objectivo nacional legitima a redução do serviço público, legitima uma agenda ideológica.

Os Conservadores recorrem actualmente, de novo, ao elemento austeritário deste tipo de estratégia, já que não têm agora disponíveis elementos centrais das suas experiências governativas anteriores. Do ponto de vista da dinâmica económica, os anteriores períodos de governação conservadora apoiaram-se em fenómenos que não se repetirão desta vez (boom na construção, nas finanças, ou no consumo) e a alternativa exportadora tão pouco está facilitada no actual contexto. Do ponto de vista da dinâmica social, o espantalho dos “sindicatos vermelhos”, usado para uma estratégia de confrontação social, não vai funcionar. É, aliás, por isso, que os Conservadores apostam em cavar uma outra divisão social, que possam manipular eleitoralmente: desta vez, entre trabalhadores do sector público e trabalhadores do sector privado.

Nestes termos, a política de austeridade é uma escolha partidária, uma estratégia para colocar o debate político em termos eleitoralmente favoráveis aos Conservadores.
Podemos concordar com a necessidade de uma consolidação das contas públicas a médio prazo, mas isso não implica concordar com a actual política em termos de velocidade e dimensão da redução da despesa pública. Fazer as coisas a esta escala brutal é uma estratégia dos Conservadores para servir os seus objectivos políticos, em particular atirar as culpas para cima dos precedentes governos trabalhistas. As realidades económicas pediriam uma abordagem mais flexível, mas isso estragaria o argumento político dos Conservadores: se os Conservadores aceitassem que é preciso gastar dinheiro para não deixar a economia regredir, teriam de abandonar o argumento contra os Trabalhistas, a acusação de que são despesistas, porque teriam de reconhecer que os Trabalhistas gastaram porque a economia assim o pedia.


A receita, provavelmente, não vai funcionar: nesse caso, os Conservadores vão continuar a pregar a austeridade como inevitável, ainda e mais, porque ainda não deu os resultados esperados. Mas a estratégia política dos Conservadores também inclui o cenário em que a receita da austeridade funcione. Nesse caso, a brutal redução da despesa em serviços públicos será tomada como um facto consumado – quer dizer, não vão aproveitar a retoma para recuperar o nível dos serviços públicos – e vão aproveitar o regresso da folga orçamental para baixar impostos. Se, nessa altura, os Trabalhistas apresentarem como programa eleitoral recuperar o nível dos serviços públicos, serão acusados pelos Conservadores de quererem voltar a aumentar os impostos. Quer dizer: qualquer programa de reforço (ou mera recuperação) do serviço público será apresentado como despesista – com a ameaça de que, indo por aí, será necessário voltar à austeridade. Esta estratégia de pescadinha de rabo na boca serve o objectivo ideológico de “cortar no Estado” e de dificultar o objectivo político de usar os serviços públicos como alavanca de mais justiça social e mais desenvolvimento económico. E serve o objectivo político de atacar os Trabalhistas, fazendo de conta que eles é que criaram a crise, que a crise é resultado das políticas trabalhistas. Esta estratégia política, estritamente partidária, não se foca nos problemas do país, na economia real: nível de vida, emprego, produção, geração de riqueza – mas apenas na retórica em torno da despesa pública e seus putativos culpados, os Trabalhistas. A política económica, assim, é vendida como se fosse uma questão simples de escolha entre partidos políticos: “não há alternativa” é a palavra de ordem que visa esconder a complexidade da crise actual, a importância da recessão mundial, o colapso do sistema financeiro – e colocar esse simplismo ao serviço de uma estratégia partidária e ideológica.


Em termos políticos, a retórica austeritária visa captar apoiantes que vão ao engano: mesmo pessoas que só têm a perder com essa política, podem apoiá-la se forem convencidas de que ela é um “imperativo nacional”. Por exemplo, muitos são convencidos de que a protecção no desemprego é uma forma de gastar dinheiro com quem não o merece, uma despesa “anti-patriótica” porque vai para “grupos restritos” (“só está desempregado quem quer, quem pede salários demasiado altos, quem quer viver à custa dos outros”) em vez de ir para o interesse de todos. A protecção aos mais pobres também pode ser apresentada como “subsídio aos que não sabem viver dentro do seu orçamento”, uma variante privada do argumento do “despesismo”.

Este é o tipo de estratégia política seguida pelos Conservadores ao longo do século XX – e ela é a inspiração de Cameron neste momento e para as próximas eleições. Trata-se, portanto, de pensar como lhe responder. De acordo com os autores, o Labour tem de evitar esta armadilha. Para isso, tem de se focar na realidade de uma economia com mau desempenho e nos rendimentos minguados das pessoas – e no papel que um “Estado activista” tem de jogar para contrariar essa realidade.

O que os Conservadores querem é que os Trabalhistas se limitem a defender os serviços públicos, o que será apresentado como uma tendência para desequilibrar a despesa pública, ou mesmo como um interesse preponderante pelos interesses dos trabalhadores do sector público. Os Trabalhistas devem ter uma agenda mais vasta, virada para mais crescimento e para uma melhoria dos níveis de vida. Os Trabalhistas devem falar para todos aqueles que estão a ser espremidos pela política de austeridade. Isto quer dizer que os Trabalhistas devem ter uma estratégia clara para o sector privado, incluindo uma política industrial, com o objectivo de criar mais emprego, emprego sustentável, e aumentar o nível de vida. Para isso, os Trabalhistas devem ter uma concepção de um Estado activista. O debate eleitoral terá de centrar-se na questão “quem tem melhores ideias para promover o crescimento”, e não na questão envenenada “quem vai melhor reduzir a despesa pública”.

Os Conservadores estão a usar a política de austeridade para impor mecanismos fiscais mais regressivos (em que, proporcionalmente, pagam mais os que têm menos); os Trabalhistas precisam de avançar com mecanismos mais progressivos, e ao mesmo tempo desenvolver políticas sociais que reduzam a incerteza económica por via da partilha do risco (o que não tem sempre de passar por aumentos da despesa).

As sondagens mostram que uma parte importante do eleitorado continua a culpar o anterior governo Trabalhista pelas políticas deste governo, o que quer dizer que a agenda ideológica está a ser competentemente implementada. Isso quer dizer que os Trabalhistas têm de concentrar-se naquilo que verdadeiramente importa: uma agenda para o crescimento e o emprego. Os Trabalhistas têm de mostrar que têm melhores respostas para essa questão: porque essa questão é que atrai o interesse das pessoas, que não estão propriamente entusiasmadas em baixar o défice como objectivo em si mesmo.

E isso tem de ser feito sem cair na manobra de virar os trabalhadores do privado contra os trabalhadores do público, que visa criar a ideia de que os Trabalhistas só estão preocupados com alguns. É por isso que certas greves no sector público prejudicam mais a oposição do que o governo.
São estas armadilhas que os Trabalhistas têm de desmontar para reconstruir uma alternativa global que apele ao conjunto da nação.

1 de janeiro de 2012

parabéns!

WEHAVEKAOSINTHEGARDEN

com esta medida o governo pensa resolver parte dos problemas

" Cancro é uma das doenças que perdem apoio total, a não ser em fases mais incapacitantes." [DN]

 ... poupa nas despesas de saúde, poupa nas reformas, poupa nos subsídios de desemprego, aumenta o número de empregos disponíveis e livra-se dos doentes oncológicos!!