13 de setembro de 2011

TRECHO DE “BELEROFONTE”

Quem disse alguma vez que há deuses lá nos céus?
Não há, não há, não há. Não deixem que ninguém,
mesmo crente sincero nessas velhas fábulas,
com elas vos engane e vos iluda ainda.
Olhai o que acontece, e dai a quanto digo
a fé que isto merece: eu afirmo que os reis
matam, roubam, saqueiam à traição cidades,
e, assim fazendo, vivem muito mais felizes
que quantos dia a dia pios são os justos.
Quantas nações pequenas, bem fiéis aos deuses,
sujeitas são dos ímpios com poder e força,
vencidas por exércitos que as escravizam.
E vós, se em vez de trabalhar rezais aos deuses,
e deixais de lutar para ganhar a vida,
aprendereis que os deuses não existem. Que
todas as divindades significam só
a sorte, boa ou má, que temos neste mundo

EURÍPEDES
Grécia – Ática
480 – 405 a. C.

[tradução de Jorge de Sena]

4 comentários:

Francisco Clamote disse...

Texto bem adequado aos dias de hoje.

Otília Gradim disse...

Francisco,

o que é espantoso é que este poema é de quatrocentos e muito antes de Cristo e faz todo o sentido nos dias de hoje.

Hugo da Graça Pereira disse...

Deuses poderão não existir. Mas as quimeras essas proliferam por aí, nestes dias sem Belerofontes.

Tem aqui um espaço agradável cara Otília. :)

Otília Gradim disse...

Obrigada, Hugo;)