28 de maio de 2011

AFINAL O QUE É QUE ELES SABEM?...

A direita portuguesa tem vindo a degradar-se de forma assustadora. No panorama político tínhamos a democracia cristã representada pelo CDS como o partido mais à direita do hemiciclo parlamentar. O PSD partido que se afirmava como um partido de matriz social-democrata é hoje um partido ultra liberal. O PSD é hoje um partido que ultrapassou pela direita o CDS. Esta direita representada pelo PSD mostrou-se irresponsável ao chumbar o PEC IV. Viu no chumbo do PEC IV a possibilidade de “passar uma rasteira ao governo” e com isso provocar uma crise política em cima de uma crise económica severa, aproveitou aquilo que lhe pareceu ser a sua grande oportunidade de “ir ao pote”, causando gravíssimos prejuízos ao país. Este chumbo tirou qualquer hipótese de o país poder vir a pedir ajuda em condições favoráveis para negociar. Portugal foi obrigado pelo PSD a ajoelhar e numa situação em que perdeu poder negocial pediu o resgate. A troika entra em Portugal e o PSD comporta-se de forma ignóbil… pôs em causa tudo e todos. Sucederam-se os espectáculos nos media e as cartas à troika. Catroga apareceu triunfante a reivindicar que o acordo era melhor do que o esperado porque o PSD tinha negociado, tinha escrito, tinha feito propostas à troika sobre tudo e mais alguma coisa. Agora afirmam não saber o que assinaram. Como pode um partido que se propõe governar o país dizer que não sabe?... é evidente que se trata de uma estratégia [Paulo Rangel também não se lembrava que tinha assinado a ficha de militante do CDS] para tirar dividendos políticos. Pobre país que não responsabiliza os políticos que para além de impreparados e irresponsáveis dão agora o triste espectáculo de se mostrarem ignorantes. Num país civilizado os políticos impreparados, irresponsáveis e ignorantes seriam severamente censurados socialmente.
A mim inquieta-me ouvir alguém que quer assumir a responsabilidade da condução do país dizer que não sabia que houve um ajustamento de calendário… afinal o que é que eles sabem? 

2 comentários:

Carlos II disse...

Para se cumprir a dívida não é necessário saber dos males ou das perfeições dos socialistas, comunistas, social-democratas ou centristas. Tem que se pagar e pronto.

Não acredito que o PEC IV resolvia o estado degradado das finanças públicas. No Natal já tinhamos a discussão do PEC V. Porque ficou demonstrado que o ministro Teixeira dos Santos não tinha argumentos técnicos para resolver o problema. Se tinha, porque é que houve 4 PEC (s)?

Discutir competências entre esquerda e direita não faz sentido nesta altura. Ou pagas ou sais da zona euro. E se Portugal já era um protetorado nas mãos dos bancos e da senhora Merkel e outros, agora a situação ainda é mais preocupante. Seja qual for o governo que vença estas eleições, terão que forçosamente se entenderem. A não ser assim, o melhor é embarcar-mos todos para as Ilhas Encantadas. E o que se está assistir nesta campanha é puro folclore que só serve para acicatar ódios entre os portugueses, como se fosse uma final da Liga dos Campeões de futebol.

O que é que eles sabem? Se calhar o governo ocultou ou tem vindo a ocultar alguma coisa aos partidos da oposição.

Beij.

Otília Gradim disse...

Carlos,

para mim nunca fez tanto sentido falar da esquerda e da direita... afinal, é o modelo social que está em causa.

Não quero a Segurança Social, a Educação e Saúde privatizados.

A reprovação do PEC IV não teve a ver com as medidas previstas chegarem ou não chegarem. Foi reprovado porque o Pedro Passos Coelho ou provocava eleições no país ou teria eleições internas no PSD tal é a fragilidade da sua liderança.

Bjinhos