8 de junho de 2010

UM ERRO ESTRATÉGICO?...



Ao ler esta intervenção fiquei surpreendida com a ligeireza com que implicitamente se dá como certo que o PSD irá conseguir a maioria absoluta nas próximas legislativas e que para certos sectores do PS o Manuel Alegre não é mais que uma tábua de salvação e um mal menor em vez de ser uma opção coerente e convicta.

Como voto em convicções não votarei Manuel Alegre!!... e não tenho como adquirido que o PSD irá ganhar as próximas legislativas e muito menos com maioria absoluta. 

13 comentários:

Carlos Alberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Otília Gradim disse...

Carlos Alberto,

Mantenho a análise que fiz do texto que escreveste.
Só quem admite que o PSD pode vir a ganhar as próximas eleições legislativas, ficando a direita com maioria absoluta, dá a importância que é dada no texto às eleições presidenciais.
O PS deve-se concentrar os seus esforços em ser governo para além de 2013 e não desgastar-se numa candidatura presidencial que se sabe perdida… desde logo porque o candidato é Manuel Alegre e porque Cavaco Silva se apresenta a uma reeleição (que nunca ninguém, até agora, perdeu!)

Passo a explicar porque é o Alegre um mau candidato e só com um milagre consegue vencer as eleições presidenciais.
Manuel Alegre é um candidato da área mais à esquerda do PS que por opção estratégica se colou à esquerda radical, embora na esquerda radical haja uma esquerda reformista que não apoia o Alegre e está com Fernando Nobre e outros admitem votar em Cavaco Silva.
Alegre, na legislatura anterior, não só no parlamento pôs em causa legislação fundamental para a governação do PS como, de forma activa e concertada com a esquerda radical, colaborou no desgaste do governo do PS… (assumiu o papel de porta-voz da esquerda radical). Atacou a reforma da Educação reforçando a mensagem corporativa dos professores. Atacou a reforma da Saúde quando o Ministério da Saúde teve um dos seus melhores ministros… curiosamente não ataca esta ministra (na área da Saúde o governo não mudou de politica, só mudou de ministro), única e exclusivamente porque ela é uma das suas apoiantes.
Alegre alinhou em tudo que fosse anti Sócrates.
A pergunta legítima que se pode fazer é: porque se precipitou o BE a apoiar o Manuel Alegre apesar de também este não ser um candidato consensual no BE?
Em primeiro lugar, porque o BE sabe que Alegre cumpre um dos seus principais e prioritários objectivos… o de dividir o PS!!!
Em segundo lugar, e não menos importante, sabe que não fica com o ónus de ter que pagar uma campanha presidencial… (como correu o risco de lhe acontecer quando apresentou como candidato o Francisco Louçâ o e que só por milagre não aconteceu) já que a legislação prevê que os candidatos que não obtenham 5% dos votos expressos não são abrangidos pela subvenção estatal. O BE, dentro do leque dos seus aderentes, não tem um candidato que lhe permita voltar a arriscar e por isso prefere apoiar Manuel Alegre.
Por outro lado dentro do PS e com um peso considerável há uma larga franja que não vota Manuel Alegre quer pelo seu radicalismo e falta de projecto político quer por não esquecer que ele foi um aliado de peso contra as reformas do governo anterior.

Manuel Alegre é o militante socialista que mais dividiu o Partido Socialista.

Bjinhos

Carlos II disse...

Otília,
que me desculpes por fazer um reparo ao comentário de Carlos Alberto teu visitante.

Carlos Alberto,
Pelas suas palavras dá a impressão que o Presidente da República vai governar.
Ah! uma visão de esquerda em Portugal? Então não será melhor ser só - e que já é muito - uma visão para todos os portugueses.
Um vulgar tecnocrata - por acaso Cavaco até nem é - não poderá possuir um perfil humanista?
Depois; Liberdade, Igualdade e Fraternidade, três ítens, ou melhor tags, para ser mais preciso em termos informáticos, da revolução francesa, falharam retundamente e estão gastos.
Para mim as eleições presidenciais são um circo de interesses partidários. Para ser a rainha de Inglaterra qualquer "chavalo" serve.
Assim, prefiro a monarquia.

cumprimentos.

Carlos II disse...

Eu acho que as pessoas de esquerda, não se devem preocupar com o que representam em termos ideológicos os putativos candidatos, porque desde Abril de 74, que vivemos num regime de esquerda.

Afinal, o que é o bloco central?
Certo!?

Otília Gradim disse...

Carlos,

É sempre um prazer ter-te a comentar este blogue... afinal temos 10 anos de amizade "virtual" ;))*

Não percebo como tu com a tua formação/ conhecimento/ e militância chegaste à opção pela monarquia.

Claro que tu também não perceberas facilmente o meu percurso porque ele não é nem linear e muito menos é coerente... ou será?... e só me custa admitir que virei à direita ;)))*

um grande abraço e beijinhos

Carlos II disse...

Otília;

Não é nada de estranhar o meu percurso:
Precisamente pelo facto de ter melhor conhecimento da vida, dos homens e da política, desde logo,já um longo passado (repara são 62 anos), que me leva a ter uma ideia mais realista de tudo o que se passa.

Já fui enganado muitas vezes: pelos meus pais (aqui desculpa-se), pelos professores que tive, e pelas angústias e devaneios juvenis - abraçando doutrinas com o desejo de salvar o mundo. Tu sabes.

Quanto à ideia da monarquia, é por eu achar que para além de considerar ser o regime que melhor serve o país e o Estado, é mais justo históricamente, uma vez que o país não foi fundado por maçons desesperados a coberto de interesses internacionais, sendo a monarquia sido interrompida por um acto selvagem, para dar lugar àquilo que estamos assistindo, embora seja certo que, se isso não tivesse sucedido não sabermos se estaríamos melhor. O que é certo é que a chefia do Estado entregue a um monarca dá maior respeitabilidade ao cargo. Assim, qualquer homenzinho, hoje, com a ajuda partidária e a divina protecção do Espírito Santo (banco) e algum industrial da sucata pode aspirar a esse cargo.
Como dizia o prof.Agostinho da Silva, Viva a Monarquia, Viva a República dos Municipios.

Eu sou Otília;

um potêncial homem de esquerda, basta amar a cultura, e o desenvolvimento do homem,mas também acho que a direita, não se pode esquecer, foi a responsável pela grande parte do progresso da humanidade.


Beij.

Otília Gradim disse...

Carlos,

É-me muito difícil entender a figura de um rei... quando afinal a poderia e deveria defender ou não seja eu "reisinho" ;)*

A monarquia em Portugal também começou por bater na mãe ;)))*

Quando uma pessoa é de esquerda por convicção é difícil deixar de o ser... mas confesso que hoje me sinto muito distante da esquerda que outrora me parecia credível.

beijos

guimaraes disse...

Amigo Carlos Alberto, o senhor é um lírico...,o que é isso de liberdade,igualdade, faternidade..e sei lá que mais adjectivos, e para quê?Se"qualquer" cidadão, com mais de 35 anos cumpre aquela missão?O que é isso de abrangente?quem o Alegre?Aquele que desertou em 1961 em Angola?A nossa consciência moral varia com o meio em que vivemos, e na medida de um sentimento de desacordo com a avaliação reinante, produz em nós uma tendencia para o desejo e a dissimulação e emoções, e a nossa consciência em má consciência.
Deixe lá "o problema do actor, a deslealdade do talento como característica dode metamorfose, de falta de carácter, a impudícia do fantoche, do sátiro, o bobo de Gil Blas".
Quanto ao de Boliqeime serve para as fotos de família com o Papa, e dizer que "está a chover...abriguem-se...quando já está tudo inundado".
O amigo Carlos II, também está "desfazado de frequência"..que é isso de "direita e esquerda"?Existe?
Onde? pelas regras de Engls o PSD era um partido de esquerda, o PS muito mais...e acha que o é?se vivemos um estado de capitalismo puro...

até outro dia .


J. G.

Carlos II disse...

Eh lá!

Amigo Guimarães;

Eu pretendi estar de acordo com a ordem vigente quanto às esquerdas e direitas. Pois é evidente que hoje isso não faz sentido. Eu sei. Mas não é porque vivemos em capitalismo puro. Aliás, não sei o que é o capitalismo puro. É precisamente por haver capitalismo é que aparece a luta de classes, logo, a esquerda vs direita.
Não sei se o Engels pensou nisso.

Se eu acho que o PS e o PSD são de esquerda? Poderemos considerar de acordo com o actual espectro político, sim,desde que levemos a sério hoje,e em conta, esses termos de esquerda e direita.

Cumprimentos

guimaraes disse...

Amigo Carlos II,claro que poderiamos estar aqui a esgrimir, essa dictomia direita/esquerda, sem que chegassemos a uma conclusão
objectiva, visto que a política não é uma ciência exacta.
Existe a chamada "razão do EU",e continuo convencido que não existe essa D/E, embora teoricamente ela exista no parlamento como princípio, não como um meio,repare;eu já nem vou para o PSD, mas no PS,acha que na cúpula do aparelho partidário, existe algum cidadão daquela esquerda de à 100 anos?Duvido.Eu até me considero socialista desde os tempos que Humberto Delgado veio ao Porto, mas repare como no sec.XiX, Frederico Nietzsche, se refere aos socialistas", "como os socialistas me parecem ridículos com o seu optimismo imbecil a cerca do "homem bom",que está à espera por detrás de uma moita,que primeiramente seja destruida, a "ordem presente"....

E repare,se este governo, (socialista, logo è de esquerda) tivesse um um ojectivo, esse objectivo seria atingido, o que nunca vai acontecer,e como dizia Pessoa,"Esperar pelo melhor, é preparar-se para o pior:eis a regra".

Cumprimentos.

J.G.

Carlos II disse...

Vamos lá ver se o amigo Guimarães continua com paciência para me aturar mais um bocadinho. Olhe, pelo menos, a autora deste blogue já actualizou a página com outro tema.

- O PS e o PSD são com algumas diferenças, partidos sociais-democratas, reivindicando o PS, talvez para se diferenciar, do socialismo democrático. Nenhum deles pretende atingir o socialismo, mas gerir com políticas mais ou menos sociais o capitalismo.

- Socialismo científico, vulgo marxismo-leninismo, é que sim, pretende atingir o socialismo e posteriormente um estado mais avançado o comunismo.

- Estou de acordo com o Nietzsche, porque não acredito na natureza humana para tal empreendimento. É por isso,que as tentativas realizadas no principio do séc. passado falharam.

- Claro que hoje na cúpula partidária do PS ninguém quer se identificar com aquela esquerda de há 100 anos. O contexto histórico é diferente.

Cumprimentos.

guimaraes disse...

Claro amigo Carlos II, que paciência é aquilo que não me falta,(risos),e para dar por encerrado aqui neste assunto,(teremos muitos mais para dialogar e questionar),estou plenamente de acordo consigo, neste seu último texto,o diàlogo, (ainda que não estejamos de acordo), é a melhor forma de esclarecimento, cada pessoa tem um ideal, e tem que ser respeitado,mas pode ser questionado.

Cumprimentos


J. G.

Otília Gradim disse...

Carlos,

Por mim podem continuar a conversar ;)*

beijnhos