11 de janeiro de 2010

NÃO CREIO NESSE DEUS

de:  ANTÓNIO ALEIXO

I
Não sei se és parvo se és inteligente
- Ao disfrutares de nababo –
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente

II
Não vês que o teu bem estar faz d’outra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu queres p’ra ti o céu e a terra…
- Não te achas egoísta ou exigente?

III
Não creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confissões;
Não posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e orações,
P’ra o homem conseguir o que deseja.

IV
Se Deus quer que vivamos irmãmente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?..
P’ra esses é o céu; porque o inferno
É p’ra quem vive a vida à custa alheia!

INÉDITOS
ANTÓNIO ALEIXO
Pag. 203 e ss
Edição de:
VITALINO MARTINS ALEIXO
Loulé 1978
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