11 de novembro de 2009

A MORTE DO NARCISO

No quarto silencioso apagou-se devagar…
Pétala atrás de outra não desfolhou a vida,
Morreu sim com face mais empalidecida,
Como um doente leva segredo a enterrar.

Misterioso apagou-se, e ninguém percebeu.
Pois nesse mesmo instante de cruel melancolia,
Só eu lhe presenciava a muda agonia,
Só eu tomei sentido de quanto se perdeu.

E quando tudo isso passei a escrever,
Igual a uma alma da morte libertada,
No ar, leve insinuou-se doçura perfumada
Pairando em casa muito depois do anoitecer.


DIMITRIE ANGHEL
Roménia
(1872-1914)
ROSA DO MUNDO
Trad. Doina Zugravescu




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2 comentários:

carlos cunha disse...

Muito belo. Sensível.

Otília Gradim Reisinho disse...

Carlos,

Achei o poema muito curioso e decidi coloca-lo no blogue

Saudações
.