1 de novembro de 2009

“A POESIA DE SEBASTIÃO ALBA, A INUSITADA E DESCONCERTANTE ELEGÂNCIA DO SEU VERBO, A SUA SABIA E LESTA CAPACIDADE PARA VISLUMBRAR A ESCORREIÇÃO DO BEM PENSADO QUE RESCENDE, SIMULTANEAMENTE, AO AROMA PUNGENTE DA SURPRESA E DO INSÓLITO, PRODUZEM, NO MAIS ATENTO DOS SEUS LEITORES, ECOS E RESSONÂNCIAS, REFERENCIAÇÕES, QUE CONSTITUEM APANÁGIO DE MUITO POUCOS POETAS.” - RUI KNOPFLI

Em cada mão, a pedra com que insulto
o meu sorriso a demolir, no espelho
dos lavabos do bar. Oiço o tumulto
na sala. Aos 39, estou um velho,


dizem. Ora bem, concedo –  seus filhos
da p… Largo as pedras, já cadentes
consomem-se e não chegam aos ladrilhos.
Agora, isco o sorriso e dou-lhes luta

ao balcão. Estes bêbados vigiam,
voantes, aquilinos sobre a minha
vida, a imagem que mais lhes dá no goto,

mas se enreda em quem sou. E desconfiam…
Então, erguendo o copo, assomo à imagem,
com a fralda de fora e um pé boto.
SEBASTIÃO ALBA

(1940 - 2000)
(Pag. 24)
INLD, Maputo, 1981
Capa de A. Saldanha Coutinho

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