18 de maio de 2009

EU JÁ ASSINEI


Petição à Ordem dos Médicos sobre "reconversão" da orientação sexual
Exmo. Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos
Os signatários, técnicos de Saúde Mental, vêm solicitar a sua atenção para os seguintes factos:
1) o Jornal “Público” divulgou em 2 de Maio de 2009 um artigo intitulado “Ainda há defensores da cura da homossexualidade”.
2) Nesse texto, dois psiquiatras portugueses---um deles Presidente do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos (OM)--- manifestaram opiniões de que discordamos profundamente. Um dos médicos referia a terapia cognitivo-comportamental para “mudar” a orientação sexual e o dirigente da OM falava em “reenquadrar a identidade de género e as opções de relacionamento” e distinguia “homossexualidade primária com cunho biológico marcado e homossexualidade secundária” para justificar a intervenção médica em homossexuais.
3) Os signatários consideram as opiniões citadas como incorrectas, sabendo-se que a homossexualidade não é considerada doença desde 1973 e que não há qualquer evidência científica que sustente a validade das intervenções propostas. Recordam ainda que a APA (Associação Americana de Psiquiatria) reprova qualquer intervenção dita de reconversão da orientação sexual.
4) Como técnicos de Saúde Mental, não ignoramos o sofrimento psicológico de muitas pessoas LGBT, mas consideramos que ele não é resultante dos seus comportamentos, afectos ou identidades, antes é determinado por um contexto social marcado pela homofobia que se revela discriminatório. Neste sentido, consideramos que esse sofrimento resulta da interiorização de mensagens sociais negativas e que cabe aos técnicos de Saúde Mental reduzir a dissonância entre o peso destas mensagens interiorizadas e os sentimentos dessas pessoas, favorecendo a auto-aceitação, afirmação e validação da sua orientação sexual e da sua identidade sexual.

Senhor Bastonário:
Pelo exposto, vimos solicitar:
a) A clarificação urgente da Direcção da Ordem dos Médicos sobre este tema.
b) Uma tomada de posição do Colégio da Especialidade de Psiquiatria, após um debate entre os seus membros.
c) O seu apoio e participação na continuação deste debate na comunicação social, que os signatários pretendem levar a cabo.
Lisboa, 14 de Maio de 2009

3 comentários:

cjt disse...

embora compreenda em parte, não posso deixae de lamentar que esta petição esteja aberta apenas aos profissionais.
bem vistas as coisas, os restantes públicos são capazes de discernimento suficiente para aderirem (ou não) à petição, uma vez informados da indecência troglodita que esta pretende combater.
esta reclamação deve ser, antes de mais, um movimento de cidadania. tal como está, receio passar apenas por um movimento corporativo, sem impacto na população.
um abraço,
cjt

otília gradim reisinho disse...

Viva CJT

A petição deixou de ser só destinada a profissionais na medida em que activistas dos direitos humanos nas suas várias vertentes já a assinaram.

um abraço
Otília

cjt disse...

ok, ainda bem. assim eu também assino.
seria bom mudar o texto...

grato pela resposta.